Reffis
O que é?
Já é de praxe dizer que o São Paulo é um dos clubes mais bem estruturados do mundo. Mas a boa fama em relação às instalações do Tricolor se tornou ótima em 2004, quando o Reffis foi inaugurado.
O centro de Reabilitação Esportiva Fisioterápica e Fisiológica, uma das maiores jóias do Tricolor, a mais moderna instalação do gênero pertencente a um clube esportivo na América do Sul, começou a ser desenhado em 2003, quando o fisioterapeuta Luiz Rosan projetou um núcleo que pudesse ter excelência na recuperação dos atletas são-paulinos. Com a aprovação da diretoria, o São Paulo partiu em busca de parceiros para que aquilo saísse do papel e virasse uma realidade. Então, em 2004, o Reffis abriu as portas para receber quem precisasse de um tratamento de ótima qualidade.
No começo, o projeto visava atender as necessidades básicas do São Paulo, que conta com 25 ou 30 atletas. Mas em virtude da procura e do sucesso, o Reffis passou a ser referência de tal maneira de que em quatro anos atendeu em torno de 113 pacientes, sendo desses 74 jogadores de futebol profissional (números de até o início de janeiro de 2008).
O núcleo compreende 400m², somando desde a sala que abriga os aparelhos até o campo de "showball", utilizado pelos fisioterapeutas para algumas atividades. Tudo o que está dentro das paredes do Reffis é do São Paulo. O time não faz parceria em regime de comodato ou de consignação, isso quer dizer que ao término do contrato, todos os equipamentos passam a ser do clube. O São Paulo não teve custo nenhum com a construção do centro.
Com uma aparelhagem de ponta, a sala conta com equipamentos caríssimos e muito desejados por quem trabalha com atividade física. Como exemplos, há uma esteira especial que custa mais de US$ 20 mil, e a menina dos olhos do Reffis: o dinamômetro isocinético, aquele onde os atletas fazem força com a perna, fazendo uma cara muito feia, único em clubes de futebol do Brasil e que não é adquirido por menos de US$ 80 mil. O dinamômetro faz a avaliação articular e muscular. Serve também para desenvolver musculatura e promover equilíbrio muscular, quando encontra-se deficit em grupos musculares ou de um membro em relação ao outros.
No local, há 69 elementos de mecanoterapia (uso de aparelhos mecânicos, durante uma sessão de terapia, com objetivos de aumentar ou melhorar a condição física e o desenvolvimento das qualidades físicas), parte de hidroterapia (que engloba a piscina aquecida e coberta do CT), câmara de flutuação (para relaxamento), setor de eletroterapia e setor de propriocepção.
Qual é a importância?
"A estrutura da área de fisioterapia ajuda em muito pra que a temporada seja feita de uma maneira sem oscilações. Acho que com a inauguração do Reffis, coincidência ou não, o São Paulo começou a chegar muito próximo das decisões, quando não, decidindo títulos. Eu tenho certeza que esse segmento auxiliou para o sucesso do São Paulo", afirma Luis Rosan.
Rosan fala sobre algumas lesões rapidamente tratadas pelos profissionais do Reffis que poderiam ter atrapalhado - e muito - a caminhada do Tricolor em busca de títulos. O primeiro exemplo é o estiramento muscular que o capitão Rogério Ceni sofreu no final de 2007, nas vésperas do São Paulo decidir contra o Atlético Paranaense os primeiros lugares no Brasileirão. O Reffis o recuperou em 11 dias.
"Nós trabalhamos em cima do tempo, porque há muita pressão para a volta dos atletas", diz. "O Mineiro na decisão da Libertadores de 2006 sofreu uma entorse e não deixamos nem ele ir ao enterro do Weverson para ficar em tratamento", afirma.
Entre as lesões mais difíceis de tratar, Rosan e Betinho, outro fisioterapeuta do Reffis, listam três: Grafite (ligamento cruzado anterior e canto póstero-lateral), Maurinho (ligamento posterior, póstero-lateral e cartilagem) e Fredson (tendão patelar, cruzado anterior e os meniscos).
Quem faz o Reffis?
O centro de reabilitação foi construído visando, primeiramente, a fisioterapia. Mas os profissionais de outras áreas também usurfruem das instalações do Reffis para otimizarem seu trabalho com os atletas do Tricolor.A sala tem o comando dos fisioterapeutas Luis Alberto Rosan e Ricardo Sasaki, que contam também com os excelentes profissionais Alessandro Pereira da Silva (Alê), Carlos Alberto Pressinoti (Betinho) e pela hidroterapeuta Roberta Rosas.
O fisiologista Turíbio Leite de Barros, os preparadores físicos Carlinhos Neves e Sérgio Rocha, com o analista de desempenho Wellington Valquer, os médicos José Saches e Marco Aurélio Cunha e a nutricionista Cristina Soares, todos profissionais do departamento de futebol do clube, que convivem diariamente com os atletas lesionados, fazem uso do Reffis para deixar os craques do São Paulo prontos para entrar em campo.
Quem já usou o Reffis?
O Reffis não é um privilégio só dos atletas do São Paulo. Vários jogadores, tanto de equipes diretamente rivais do clube, quanto de times estrangeiros, procuram os cuidados do núcleo para voltarem à ativa. Até janeiro de 2008, os seguintes jogadores de futebol foram tratados pelos profissionais do Tricolor:
- Diego
- Roque Júnior
- Cafu
- Juan
- Gustavo Nery
- Edu (Valencia)
- Juninho Pernambucano
- Kaká
- Júlio Baptista
- Ricardo Oliveira
- Ronaldo
- Adriano
- França
- Edmílson
- Fábio Aurélio
- Thiago Leitão (Bolívia)
- Abel Xavier (Portugal)
- Digão
- Dudu Cearense
- Elano
- Thiago Motta
- Adaílton
- Zé Roberto
- Cicinho
- Índio
- Doriva
- André Dias (Vasco)
- Edu (Betis)
- Nenê (Japão)
- Kanu
- Amaral
- Luisão
- Fernando (Fluminense)
- Flávio Borba
- Alex Silva (antes de chegar como jogador)
- Rodrigo (Beckham)
- Marquinhos Paraná (Cruzeiro)
- Luis Augusto (Japão)
- Irinei (Celta)
- Butijão (Alemanha)
- Vítor (ex-lateral)
- Rodrigão (ex-Palmeiras).
Outros pacientes que passaram pelo local e não estão ligados ao futebol profissiona, foram os empresários Sérgio Pena, Antônio Hermínio de Moraes, Abílio Diniz, João Paulo Diniz, Guilherme Afif Domingues, José Luis Portela (ex-ministro), o reitor da Escola Paulista de Medicina Ulysses Fagundes Neto, Nabi Abipchedid. Entre os artistas, Rodolfo Gamberini e César Filho passaram por lá, além de alguns atletas de outras modalidades.
Mas um dado pode deixar o são-paulino ainda mais orgulhoso da iniciativa da diretoria em investir na saúde dos jogadores. Vários boleiros de várias partes do mundo escolheram vir ao São Paulo fazer o tratamento de suas lesões.
A Estação fez um levantamento de alguns dos atletas que participam da maior competição interclubes do mundo, a Champions League, e escolheram as instalações da Barra Funda para se recuperar.
Da Itália, os ex-tricolores Kaká e Cafu voltaram ao time de origem para fazer seus tratamentos, e o atacante Ricardo Oliveira, que hoje volta a brilhar no Milan, ficou tão encantado com o CT da Barra Funda e com o São Paulo que assinou contrato com o clube. Dos clubes da terra da Rainha, Fábio Aurélio, também ex-São Paulo, que agora joga no Liverpool e Júlio Baptista, do Arsenal, vieram ao Brasil para se tratar.
Já vindos da Espanha, craques brasileiros de primeira linha confiaram no Sampa para voltarem o mais rápido possível aos gramados. Edu representou o Valencia no Brasil, Edmílson e Thiago Motta, do Barcelona, ficaram em São Paulo para se recuperar, e do todo poderoso Real Madrid vieram Ronaldo e, atualmente, Cicinho.
O curioso é que no início, com medo dos milhões investidos nos atletas, os clubes só autorizavam seus patrimônios, os jogadores, de voltarem ao Brasil para fazer o tratamento após visitarem o Reffis. E todos foram surpreendidos com o que viram. O médico do Real, Luis Serratosa, veio ao Brasil para um congresso, visitou o CT e ficou encantado. Já os dirigentes do Barcelona, que já conheciam o Centro do São Paulo por intermédio de seu vice-presidente, pediram ao São Paulo para cuidar de seus jogadores brasileiros, o que foi atendido prontamente. Agora, o São Paulo já é referência mundial em tratamento de lesões.